Profisssional de multifunções e generalista

ACUMULOO atual mercado de trabalho, realmente, está cobrando um profissional multifuncional. Mas cuidado para os excessos, isso não é saudável, além de tirar o emprego de outro profissional. É um caso para reflexão. O acumulo de funções não é positivo para o empregado nem para o empregador. No jornalismo, por exemplo, as funções de fotográfo, diagramador, designer gráfico, social media e outras, estão se acumulando em um só profissional. Além de ser difícil fazer tudo isso e ter o mesmo reconhecimento no salário. Veja o caso dos fotojornalistas: “… que vêm perdendo seu espaço para os jornalistas que empunham, além do bloco de anotações e caneta, uma câmera fotográfica nas mãos”. Eu por exemplo, dou meu testemunho, enquanto assessor de imprensa me faltava mãos para segurar tanta coisa como celular, câmera fotográfica, bloco de notas, caneta, bolsa… E a concentração para tudo isso?! A tecnologia cobra que tudo acontece em tempo real. E hoje são muitas as redes sociais que se dividem em imagens, áudios e vídeos. Achei essa matéria sobre especializações profissionais super interessante, mas ao mesmo tempo sem análise crítica desse mercado.

Para o diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, Rudinaldo Gonçalves, a atividade do jornalista deve ser desenvolvida necessariamente em uma das funções na qual o profissional está qualificado.

“A exploração do jornalista em mais de uma atividade de maneira rotineira representa um desrespeito a regulamentação profissional. Com isso, o empregador sobrecarrega o profissional, sem a correspondente remuneração, além de estar impedindo que outro colega ocupe uma das vagas. O jornalista deve conscientizar-se de que, enquanto profissional, deve lutar por melhores condições de trabalho e pela qualidade do serviço que está prestando à sociedade”.

Avalie o texto abaixo que acha natural essa adaptação sem avaliar as condições físicas, salariais e trabalhistas do profissional.

Alguns anos atrás, na época da faculdade, durante um desses encontros acadêmicos com vários palestrantes e workshops, tive a oportunidade de assistir a uma palestra muito marcante a respeito de ser Especialista ou Generalista.

A frase “mágica” da noite foi mais ou menos assim: “Que tipo de profissional você quer ser: aquele que sabe TUDO sobre NADA, ou aquele outro que sabe NADA sobre TUDO?”

Esse tema tem sido abordado já a algum tempo, e encontramos de vez em quando alguém falando a respeito desse assunto em artigos, midias sociais, revistas e outros.

Na definição de Generalista e Especialista no reino animal vemos:

“Uma espécie generalista é capaz de desenvolver-se em uma grande variedade de condições ambientais e pode fazer uso de uma variedade de diferentes recursos (…).”

“Uma espécie especialista só pode prosperar em uma estreita faixa de condições ambientais ou tem uma dieta limitada.”

É interessante notar que a nossa realidade profissional não está muito distante da definição acima!

Muitas pessoas procuram especializar-se em suas áreas de interesse, porém o mercado de trabalho hoje exige mais flexibilidade e capacidade em adaptação à diferentes tipos de ambientes e funções, exigindo que saiamos daquela “faixa estreita” da especialização e partindo para um campo mais amplo.

Por outro lado os profissionais que não se especializaram em uma área específica sendo totalmente genéricos, muitas vezes, estão a se contorcer quando a empresa em que trabalham exige um conhecimento mais aprofundado em uma função específica a qual desejam.

Que tipo de profissional você quer ser: aquele que sabe TUDO sobre NADA, ou aquele outro que sabe NADA sobre TUDO?

Quais as funções de trabalho que exigem um especialista ou um generalista?

Em todas as funções de trabalho existem os dois tipos de perfis de profissionais. Nas empresas maiores, como as multinacionais, encontram-se abertas posições e oportunidades para, na maioria das vezes, os especialistas; já que as funções mais abrangentes e generalistas foram previamente ocupadas pelas pessoas em posições mais elevadas, quando a empresa ainda era pequena.

Em empresas menores é mais fácil encontrar oportunidades ao perfil generalista pois uma empresa menor requer alguém que exerça várias funções, demandando maior abrangência de conhecimentos e flexibilidade. Essas condições podem ser mais vantajosas para o trabalhador que ainda está descobrindo o seu papel no mercado.

Em ambos os casos, os dois tipos de perfis, tanto o Especialista como o Generalista podem ser combinados para um melhor desempenho de uma equipe, por exemplo, um complementando o trabalho do outro. Entretanto é importante enfatizar que, uma pessoa com a ambição de sucesso em sua carreira precisa se focar exatamente no que deseja fazer ou adquirir com sua vida profissional e não ser intimidado por desafios.

Geralmente, para as posições mais elevadas e de grandes responsabilidades, exige-se do indivíduo um conhecimento mais abrangente e generalista, de todas as funções aplicadas ao seu trabalho, o que NÃO significa que no princípio este indivíduo não tivesse o perfil Especialista – o que pode tê-lo levado a alcançar a sua posição de destaque.

Não se pode concluir que um perfil seja melhor do que o outro, mas podemos sim entender que é importante a cada profissional sair de sua zona de conforto.

Para aquele que prefere saber muitas coisas sem se focar em uma área específica de trabalho e função, o importante realmente é estar aberto a aprender sempre. E não recusar a oportunidade, caso apareça, de um aprofundamento em um determinado conhecimento, ou mesmo uma especialização se for para a melhoria do seu desempenho como profissional.

Para quem prefere ficar focado apenas em sua área de especialização, deve-se ter em mente que o mundo profissional em que nos encontramos hoje as estratégias de trabalho estão em constante mudança, a competitividade aumentou consideravelmente, o que pode afetar àqueles que não olham para o lado e tendem a ser inflexíveis à mudanças e novos aprendizados.

O que podemos dizer então?

Não precisamos abandonar à nossa habilidade natural como profissional, seja Generalista ou Especialista, mas o mundo exige flexibilidade dentro da especialização, e também exige especialização dentro do abrangente.

Este é um ponto para reflexão, a resposta não é branca ou preta, mas cinza! Todo o conhecimento é válido para todos os tipos e perfis profissionais, sem forçar o perfil natural, contudo não tendo receio de dar um passo fora do seu círculo.

 

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Sobre claueav

Jornalista com especialidade em Marketing Político, com experiência em gerenciamento de crise. Atua no jornalismo on-line e assessoria de comunicação. Experiência em gestões municipais, parlamentares, campanhas e ongs. Atualmente está fazendo MBA em Marketing Digital e Gerenciamento de Redes Sociais. #socialmedia
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